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Aquisição da CBA reforça segurança de bauxita e alumina para Rio Tinto e expansão do controle da base de matérias-primas fora da Ásia

A venda de 68,6% da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) para uma joint venture formada por Chinalco (67%) e Rio Tinto (33%), por R$ 4,7 bilhões, ocorre em um momento de reorganização estrutural da cadeia global de bauxita e alumina, marcada por maior concentração de oferta e expansão acelerada de capacidade de refino na Ásia.

A Companhia Brasileira de Alumínio reúne ativos de mineração de bauxita, refino de alumina, produção de alumínio primário e geração de energia, além de deter o Projeto Rondon (PA), uma das maiores reservas de bauxita ainda não desenvolvidas no mundo. Essa combinação foi determinante para o interesse dos compradores, que buscaram controle do ativo e não apenas participação minoritária.

Para a Rio Tinto, a aquisição fortalece o eixo Atlântico de suprimento de alumina. O Canadá mantém elevada demanda por alumina e conta com produção doméstica limitada, o que sustenta dependência estrutural de importações. O Brasil figura entre os principais fornecedores para esse mercado, beneficiado por proximidade logística e rotas consolidadas. Ao assumir participação na CBA, a Rio Tinto passa a ter acesso direto a uma origem relevante de bauxita e alumina no Atlântico, reduzindo exposição a origens mais concentradas e a cadeias mais longas.

Além do aspecto logístico, a base energética da CBA adiciona previsibilidade de custo a uma cadeia na qual a eletricidade representa parcela dominante do custo do alumínio primário. A integração entre mineração, refino, metal e energia amplia a flexibilidade operacional da Rio Tinto para balancear fluxos entre América do Sul e América do Norte conforme condições de mercado.


Um ponto central da transação é a mudança de escopo em relação ao plano original da CBA. A companhia buscava inicialmente vender uma participação majoritária apenas no Projeto Rondon, estimado em US$ 2,5 bilhões em investimentos, para viabilizar o desenvolvimento da maior reserva de bauxita ainda não explorada do mundo. No entanto, tanto a Chinalco quanto a Rio Tinto avançou nas negociações condicionando o aporte ao controle integral da operação, de forma a estruturar uma cadeia verticalizada, da mineração de bauxita até a produção de alumínio e transformados.

Essa exigência explica a transição de um acordo pontual em Rondon para a aquisição de 68,6% da CBA, reposicionando o ativo como plataforma industrial completa e não apenas como projeto mineral isolado. A entrada no Brasil reduz a dependência das importações com origem em Guiné, com potencial de expansão a longo prazo.

Autoral GlobalKem | 07 de fevereiro de 2026

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