Abiquim reforça defesa comercial para preservar competitividade da indústria química nacional

A indústria química brasileira voltou a defender a continuidade de medidas de defesa comercial para preservar a competitividade do setor. Em reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, realizada em 13 de maio, o presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, apresentou um panorama dos impactos da escalada das tensões geopolíticas globais sobre a indústria química e destacou a pressão internacional sobre cadeias produtivas estratégicas.
Entre os temas tratados no encontro estiveram os efeitos da crise no Oriente Médio sobre energia, fertilizantes e petroquímica global, além dos resultados observados após a inclusão de 36 pleitos da indústria química na Lista de Desequilíbrios Comerciais Conjunturais (DCC). Segundo a Abiquim, o cenário internacional reforça a importância estratégica da indústria química para a soberania produtiva e econômica do Brasil.
A entidade destacou que o setor químico movimenta US$ 167,8 bilhões por ano, gera cerca de 2 milhões de empregos diretos e indiretos e está presente em praticamente todas as cadeias produtivas relevantes da economia. Ao mesmo tempo, a pressão externa segue elevada: aproximadamente 47% da demanda nacional por produtos químicos é atendida por importações, enquanto o déficit comercial do setor soma US$ 55 bilhões anuais.
No recorte dos insumos monitorados, o Enxofre aparece como um dos pontos de atenção. Com base em dados da S&P Global Energy citados pela Abiquim, o Oriente Médio responde por 47% do comércio global de Enxofre, matéria-prima essencial para o agronegócio. A entidade também afirmou que, no setor químico, o Brasil possui capacidade instalada suficiente para ampliar rapidamente a produção e compensar eventuais oscilações.
A Abiquim também apresentou resultados relacionados às medidas de defesa comercial. De acordo com a entidade, as importações dos produtos incluídos nos pleitos cresceram 75% entre 2022 e 2024. No caso das importações originadas da China, o avanço foi de 153,1% no mesmo período. A associação classificou o aumento do volume importado, acompanhado de queda artificial nos preços médios, como movimento típico de práticas predatórias de comércio internacional.
Segundo a Abiquim, os efeitos das medidas de combate a operações predatórias, especialmente da lista DCC, já aparecem nos indicadores recentes. No acumulado de 2025 e do primeiro trimestre de 2026, a produção nacional acompanhada pela entidade cresceu 5,6%, enquanto as importações caíram 9,2%. Para a cadeia de abastecimento, a discussão reforça a preocupação da indústria química com a dependência externa, a preservação da capacidade produtiva nacional e a exposição a rupturas logísticas internacionais.
Adaptada GlobalKem | 27 de maio de 2026