Feriados asiáticos e clima extremo ampliam gargalos logísticos e pressionam fretes no início de 2026
A combinação entre feriados operacionais na Ásia e a intensificação de eventos climáticos extremos na Europa, consolida um ambiente logístico mais restritivo no primeiro trimestre de 2026, com impactos diretos sobre prazos e custos nas cadeias de químicos e refratários. O calendário concentra dois momentos críticos: o Ano Novo, entre 01 e 03 de janeiro de 2026, com retorno das atividades em 04 de janeiro, e o Festival da Primavera, de 15 a 23 de fevereiro, com dias úteis compensatórios em 14 e 28 de fevereiro. Esse movimento comprime as janelas de produção e embarque antes dos feriados, desloca volumes para períodos mais curtos e posterga a recomposição logística até meados de março, movimento já observado no quarto trimestre de 2025.
Os efeitos climáticos reforçam esse cenário. Tempestades, inundações e sistemas tropicais causaram paralisações temporárias e perda de produtividade em hubs estratégicos. O Aeroporto Internacional de Hong Kong interrompeu operações por 36 horas; o Porto de Colombo, no Sri Lanka, ficou fechado por 72 horas e retomou com fila de navios, gerando atrasos médios de atracação de dois a três dias; na costa leste da Índia, terminais como Chennai e Tuticorin operaram abaixo do padrão durante períodos de ventos intensos e chuvas fortes. No Sudeste Asiático, episódios registrados em novembro na Indonésia, Tailândia e Malásia atrasaram exportações conteinerizadas e ampliaram o tempo de transporte rodoviário transfronteiriço, criando gargalos que avançam para o início de 2026.
Paralelamente, o mercado enfrenta uma redução deliberada da oferta efetiva de transporte marítimo. Entre o início de dezembro e meados de janeiro, cerca de 9% das partidas globais programadas foram canceladas, com maior incidência nas rotas transpacíficas rumo ao leste, transatlânticas no sentido oeste e Ásia–Europa/Mediterrâneo. No transpacífico, a sustentação de fretes mais elevados encontra limite na menor disponibilidade de carga após os embarques de fim de ano. Já na rota Ásia–Europa, a demanda segue firme, com crescimento anual entre 10% e 14%, mantendo a disputa por espaço, pressionando fretes e alongando prazos ao durante de janeiro e fevereiro.
Para as cadeias de químicos e refratários, o resultado imediato é a extensão dos leads times e maior exposição a custos logísticos até que a normalização avance, de forma gradual, a partir de meados de março. O início de 2026, portanto, se caracteriza por um ambiente logístico menos flexível, a liberação dos volumes acumulados no pós-Festival da Primavera deve sustentar uma retomada progressiva dos fluxos, consolidando o primeiro trimestre como um período de gestão ativa de riscos, custos e continuidade operacional.
Autoral GlobalKem | 17 de dezembro 2025