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Abiquim envia manifesto ao governo dos Estados Unidos pedindo isenção de tarifas que podem chegar a 25%

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) protocolou em 1º de julho de 2026 uma manifestação formal direcionada ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para a exclusão de todos os produtos químicos e petroquímicos de duas propostas de tarifas adicionais que podem ser aplicadas cumulativamente

Em conjunto, as tarifas podem somar até 25% de sobretaxa nos insumos nacionais. A associação argumenta que a imposição dessas tarifas prejudicaria a própria indústria e os consumidores dos EUA, além de desviar o comércio para países concorrentes (especialmente a China), em vez de proteger a produção doméstica americana.

A Abiquim destaca que a medida pode penalizar a própria economia americana. Historicamente, os EUA mantém um superávit comercial massivo com o Brasil no setor químico. Em 2025, os americanos exportaram USD 11,5 bilhões em produtos químicos para o mercado brasileiro, enquanto importaram apenas USD 2,1 bilhões. Segundo a associação, ao impor barreiras aos produtos brasileiros, os EUA colocam em risco a segurança jurídica e a estabilidade de uma relação bilateral que rende um saldo positivo de USD 9,4 bilhões aos cofres americanos, além de afetar diretamente as operações de multinacionais dos EUA instaladas no Brasil.

Outro argumento apresentado pela indústria brasileira é o risco de desvio de comércio. Em vez de incentivar a produção doméstica em solo americano, a sobretaxa deve empurrar os compradores dos EUA para outros mercados asiáticos, especialmente a China. Dados do próprio órgão de comércio americano (USITC) revelam que, para 91,8% dos produtos brasileiros que estão na mira da Seção 301 (Dispositivo da legislação dos EUA que autoriza o governo americano a taxar e sancionar parceiros comerciais por práticas consideradas desleais ou prejudiciais à sua economia), a China já atua como um fornecedor ativo e concorrente direto nos EUA. Com o encarecimento do produto brasileiro, as indústrias americanas perderão poder de barganha e acabarão aumentando sua dependência do mercado chinês.

Diante desse cenário, a Abiquim solicita formalmente ao USTR a exclusão total do setor químico brasileiro de ambas as listas tarifárias. Como alternativa de longo prazo, a entidade defende a criação de uma agenda de cooperação regulatória e facilitação de comércio, focada no desenvolvimento conjunto da química verde e da economia circular.

Autoral  GlobalKem | 15 de julho de 2026

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