Demanda

Triagem multissensorial redefine padrão do alumínio reciclado na Europa enquanto consumo global avança para 106,8 milhões de toneladas

O consumo mundial saiu de 96,92 milhões de toneladas em 2023 para 100,8 milhões em 2024, com projeção de 104,01 milhões em 2025 e 106,8 milhões em 2026. Em 2025, o setor de transporte lidera a demanda com 28% do total, seguido por construção civil (22%), embalagens (16%), elétrico e eletrônico (15%), aplicações industriais (8%) e outros usos (11%).

Esse crescimento está diretamente ligado à eletrificação da economia, à expansão de veículos elétricos e ao avanço de infraestrutura energética. A China mantém a liderança regional, com consumo estimado em cerca de 56 milhões de toneladas em 2025, impulsionada por construção e mobilidade elétrica. Estados Unidos, Índia e Europa seguem com expansão sustentada por infraestrutura, eficiência energética e embalagens circulares.

Nesse cenário de demanda firme, a diferenciação passa pela qualidade do metal e pela pegada de carbono. Na Itália, a Raffineria Metalli Cusiana implementou uma linha de triagem multissensorial em três fases, combinando pré-processamento, remoção de contaminantes por tecnologia de transmissão por raios X e separação de ligas por espectroscopia a laser. A planta, com capacidade de 100 mil toneladas por ano, passou a operar com energia renovável e ampliou a recuperação de sucata, que já representa 50% da receita da empresa.

O modelo permitiu produzir ligas específicas de alta pureza e lingotes com 100% de conteúdo reciclado garantido, reduzindo consumo energético e eliminando etapas de refusão para determinados fluxos. Ao separar elementos como silício, ferro e manganês com precisão, a empresa passou a atender especificações exigidas por setores como automotivo e aeroespacial, capturando maior valor agregado da sucata.

O avanço tecnológico acompanha a consolidação da reciclagem na Europa. A taxa de reciclagem de latas de alumínio atingiu 76,3% em 2023 na UE e países associados, frente a 74,6% em 2022. O volume colocado no mercado cresceu 4%, enquanto o reciclado avançou 7%, indicando ganho de eficiência na coleta. A Alemanha lidera com 99% de reciclagem de latas, apoiada por sistemas estruturados de depósito e retorno. O Reino Unido mantém taxa de 81% e ampliou investimentos para internalizar o processamento de sucata até 2026.

No Brasil, a reciclagem de latas alcançou 97,3% em 2024, consolidando o país entre os líderes globais. O saldo líquido de importação de sucata indica retenção significativa de material no sistema doméstico, fortalecendo a circularidade interna.

O comércio de sucata ganha relevância adicional diante do CBAM europeu. Como a sucata é atualmente considerada com emissão incorporada zero, produtos com maior teor reciclado reduzem exposição a custos de carbono. Se a proporção declarada de sucata aumentar dentro das regras vigentes, a incidência do mecanismo será menor.

No mercado primário, a oferta enfrenta restrições estruturais. A China mantém teto de produção em 45 milhões de toneladas, enquanto regiões como Europa e Estados Unidos enfrentam limitações energéticas para expansão de fundições. Com crescimento anual de consumo entre 2% e 3% e poucos projetos novos relevantes, os preços internacionais mantêm patamar que viabiliza investimentos. Na LME, as cotações registraram alta próxima de 1% em 25 de fevereiro, com estoques estáveis em 471.550 toneladas e redução de 4,05% nos warrants cancelados, sinalizando retirada moderada de material do sistema.

Autoral GlobalKem | 03 de março 2026

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