Setor automotivo cresce 2,4% em abril e acumula alta de 5% no ano
O setor automotivo brasileiro consolidou uma trajetória de recuperação no primeiro quadrimestre de 2026, com produção acumulada de 872,6 mil unidades (+4,9% vs. 4M25) e emplacamentos de 625,2 mil unidades no primeiro trimestre (+13,3%), gerando impactos diretos na cadeia de insumos químicos industriais. A produção de março atingiu 264,1 mil unidades, melhor resultado mensal desde outubro de 2019, período pré-pandemia, sinalizando aquecimento sustentado da demanda por polímeros, tintas, adesivos e compostos químicos aplicados na fabricação de autoveículos.
Isso indica uma demanda aquecida para polímeros e termoplásticos, como o PVC, por produção e estoques, já que essa cadeia é diretamente impactada pelo ritmo produtivo da indústria automotiva. A produção acumulada de 872,6 mil unidades nos primeiros quatro meses de 2026, combinada com a dinâmica de estoques, sugerindo que as montadoras estão recompondo estoques, o que tende a sustentar consumo de resinas termoplásticas no curto prazo. Contudo, o crescimento de 12% nas importações de veículos no acumulado do ano pode pressionar a produção nacional e, por consequência, a demanda por insumos químicos domésticos.
A cadeia do PVC, especificamente, conecta-se diretamente ao segmento de Cloro-Álcalis, mas o efeito cadeia se propaga, chegando para tintas e revestimentos automotivos. O dióxido de titânio (TiO₂), pigmento crítico para tintas de acabamento, é produzido via processo sulfato que consome Ácido Sulfúrico para digestão de ilmenita. Em abril de 2026, o enxofre CFR Brasil registrava cotações elevadas refletindo oferta ajustada e tensões logísticas. Pressões sobre custos de Ácido Sulfúrico podem, portanto, influenciar a precificação de tintas automotivas e, por extensão, os custos de acabamento de veículos produzidos no Brasil.
Eletrificados estão em expansão, aumentando a demanda por insumos de alta performance, os veículos híbridos e elétricos registraram participação recorde de 18,3% no total de emplacamentos de abril de 2026, sendo que 40% desses modelos foram fabricados no Brasil. A expansão da produção nacional de eletrificados demanda insumo químicos específicos e de maior valor agregado, como polímeros de engenharia para componentes de baterias, compostos isolantes para sistemas elétricos de alta tensão, adesivos estruturais à base de epóxi e poliuretanos para montagem de módulos de tração, e materiais leves (compósitos de PP e PE reforçados) para ganho de eficiência energética representam vetores de crescimento para segmentos de químicos especiais.
O efeito cadeia também alcança o tratamento de água e efluentes nas próprias plantas automotivas. Estações de Tratamento de Efluentes (ETEs) de montadoras consomem coagulantes como sulfato de alumínio e PAC (Policloreto de Alumínio), desinfetantes como Cloro e Hipoclorito de Sódio, e produtos para ajuste de pH como Cal e Ácido Sulfúrico. Pressões sobre custos de Ácido Sulfúrico podem, portanto, influenciar a competitividade de produtores domésticos de coagulantes ou exigir realocação de especificação para alternativas como o PAC, produzido a partir de Ácido Clorídrico.
Adaptado GlobalKem | 13 de Maio de 2026