Leilão de baterias abre nova frente para químicos no Brasil

O Ministério de Minas e Energia publicou as diretrizes para o primeiro leilão brasileiro voltado exclusivamente à contratação de sistemas de armazenamento de energia em baterias. A medida, chamada de LRCAP de 2026 – Armazenamento, busca ampliar a segurança do Sistema Interligado Nacional e dar mais flexibilidade à operação elétrica, especialmente diante do avanço das fontes renováveis na matriz brasileira.
O leilão será dividido em duas etapas, previstas para dezembro. A primeira será voltada a sistemas que atendam requisitos mínimos de nacionalização, enquanto a segunda será aberta aos demais projetos elegíveis. Os contratos terão duração de 15 anos, com início de suprimento em agosto de 2028, e os empreendimentos deverão ter potência mínima de 30 MW, capacidade de descarga contínua por quatro horas e eficiência total mínima de 85%.
Embora o foco principal da medida seja o setor elétrico, a expansão do armazenamento em baterias também pode abrir uma nova frente de atenção para a cadeia química. Isso porque, no mercado global, os sistemas estacionários de armazenamento utilizam majoritariamente baterias de fosfato de ferro-lítio, conhecidas como LFP. Segundo a Agência Internacional de Energia, essa tecnologia respondeu por cerca de 90% das novas implantações globais de armazenamento em baterias em 2025, por ser mais competitiva em custo e adequada a ciclos frequentes de carga e descarga.
Nesse contexto, a cadeia de fosfatos ganha relevância dentro da discussão sobre baterias. A tecnologia LFP utiliza fosfato em sua composição catódica e pode demandar, ao longo da cadeia produtiva, insumos como fosfato de ferro e Ácido Fosfórico de maior grau de pureza, especialmente em etapas ligadas à produção de materiais para baterias. A LANXESS, por exemplo, informa que planeja sintetizar fosfato de ferro grau bateria a partir de ferro e Ácido Fosfórico para aplicação em materiais catódicos LFP.
Para o Brasil, o leilão não significa aumento imediato da demanda por Ácido Fosfórico. O impacto dependerá da tecnologia escolhida pelos projetos, do nível de nacionalização da cadeia e da instalação de etapas industriais ligadas à produção de células, módulos ou precursores. Ainda assim, a iniciativa reforça a importância de acompanhar a evolução da cadeia de baterias no país, que pode ampliar, no médio e longo prazo, a demanda por químicos ligados a fosfatos, Ácido Fosfórico e materiais para armazenamento de energia.
Autoral GlobalKem | 01 de julho de 2026