Fechamento de Ormuz reduz segurança de suprimento e eleva risco operacional para o alumínio primário no Oriente Médio

O fechamento do Estreito de Ormuz passou a comprometer diretamente a cadeia de alumínio primário no Oriente Médio, região responsável por cerca de 8% a 9% da produção global. Embora o bloco mantenha capacidade próxima de 6,9 milhões de toneladas por ano, a estrutura regional segue dependente de matérias-primas importadas. Para sustentar esse nível de produção, as plantas de alumínio primário locais consomem cerca de 13 milhões de toneladas de alumina por ano, enquanto a capacidade regional de refino permanece entre 4,35 milhões e 4,95 milhões de toneladas, mantendo um déficit estrutural relevante de abastecimento.
A vulnerabilidade mais imediata está na alumina. Países como Bahrein, Catar e Omã dependem fortemente de cargas externas, enquanto os estoques operacionais das plantas de alumínio primário costumam cobrir apenas três a quatro semanas. Se a interrupção logística persistir ao longo de março, abril e maio, a restrição de chegada de alumina irá reduzir a taxa operacional das plantas e cortar a produção regional de metal primário. Em um cenário de paralisação de matérias-primas por três meses, o bloqueio de 2,0 milhões a 2,5 milhões de toneladas de alumina colocará em risco entre 1,0 milhão e 1,25 milhão de toneladas de alumínio, o equivalente a 16% a 20% da produção regional de 2025.
A pressão também avança sobre a bauxita. O Oriente Médio não é autossuficiente nesse insumo e segue dependente de fornecedores como Austrália, Guiné, Turquia e Índia. Em 2025, cerca de 2,9 milhões de toneladas de bauxita australiana seguiram por rotas ligadas ao GCC (Conselho de Cooperação do Golfo), enquanto a Turquia ampliou participação após a redução dos embarques da Guiné. Ao mesmo tempo, a refinaria de Al Taweelah, nos Emirados Árabes Unidos, produziu 2,40 milhões de toneladas de alumina em 2025, mas segue dependente de mais de 5 milhões de toneladas anuais de bauxita importada. Esse quadro confirma que a limitação não está apenas na exportação do metal, mas também no abastecimento da base mineral que sustenta a cadeia.
Na operação regional, houve suspensão de embarques no Bahrein e declaração de força maior em unidade no Catar, com previsão de desligamento total até o fim do mês. Em paralelo, a menor absorção de alumina pelo Oriente Médio tende a redirecionar cargas para outros mercados, ampliando a disponibilidade na Ásia.
Autoral GlobalKem | 14 de março 2026