A sinalização do governo federal de que o Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) terá recursos garantidos até 2026 fortalece a expectativa de aumento da demanda por Cal no próximo ano. O setor avalia que o programa, responsável por impulsionar grande parte dos lançamentos habitacionais no país, pode se tornar o principal motor de recuperação das compras do insumo, especialmente após um período marcado por obras mais lentas e consumo reduzido.
O MCMV tem impacto direto sobre o mercado de Cal, visto que o produto é utilizado em diversas etapas construtivas, incluindo estabilização e correção de solos, preparo de argamassas, revestimentos e processos de melhoria de terrenos para fundações. Em empreendimentos de grande volume e padrão construtivo popular, como os do programa habitacional, a Cal costuma ser um insumo essencial para garantir padronização, custo competitivo e desempenho técnico. Com mais obras iniciadas, cresce automaticamente a demanda por Cal.
Em novembro, o MCMV registrou 80 mil novas contratações, número superior à média de 60 mil observada até outubro. Em São Paulo, 67% dos lançamentos já estão vinculados ao programa, reforçando seu peso na atividade do setor. Para 2026, estão previstas 3 milhões de unidades contratadas, meta que deve manter o ritmo elevado de obras. Como boa parte desses empreendimentos envolve terraplenagem e construção em solo expansivo ou de baixa capacidade, o uso de Cal tende a ser intensificado.
Atualmente, o consumo do produto segue baixo devido à desaceleração da construção civil e da indústria devido as altas taxas de juros. No entanto, o setor já projeta reação. A combinação entre a ampliação do público atendido pelo MCMV, a esperada redução das taxas de juros e a retomada gradual do crédito habitacional deve expandir o ritmo de obras no próximo ano, aumentando a demanda de insumos básicos, incluindo a Cal.
Autoral GlobalKem | 10 de dezembro 2025