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Conflito entre EUA, Israel e Irã eleva riscos logísticos e custos nas cadeias químicas globais 

O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã entrou em sua segunda semana após a ofensiva militar iniciada em 28 de fevereiro, quando ataques coordenados atingiram infraestrutura militar, instalações nucleares e refinarias de petróleo iranianas. A escalada militar ampliou rapidamente o alcance do confronto no Oriente Médio e passou a atingir instalações energéticas e rotas estratégicas de comércio internacional. Paralelamente, o Irã respondeu com ataques contra Israel e países aliados dos Estados Unidos no Golfo, enquanto incidentes militares também foram registrados em áreas próximas ao Líbano, Chipre e no Oceano Índico. 

Esse cenário altera diretamente o funcionamento das cadeias globais de energia e de matérias-primas químicas. O Estreito de Ormuz, corredor por onde transitam aproximadamente um terço do petróleo mundial, cerca de 23% do comércio global de GPL e 20% do GNL, tornou-se o principal ponto de atenção logística. Se as operações de navegação forem restringidas nesse corredor, o transporte de petróleo, gás natural, metanol e enxofre sofrerá redução imediata, elevando os custos de energia e de matérias-primas petroquímicas. Como consequência direta, cadeias industriais dependentes desses insumos, como olefinas, aromáticos, ácido acrílico, dióxido de titânio e pigmentos minerais, passam a registrar aumento no custo de produção. 

A indústria global de revestimentos evidência de forma clara essa conexão entre energia e química básica. Em 2025, a produção chinesa do setor atingiu 34,602 milhões de toneladas, uma queda de 7,1% em relação a 2024, enquanto a receita recuou 3,9%. Apesar disso, o lucro total do setor cresceu 11,5%, refletindo ajustes de custos e aumento das exportações, que avançaram 21,99% no período. Dentro dessa cadeia, produtos como dióxido de titânio e pigmentos de óxido de ferro dependem fortemente do ácido sulfúrico, cuja produção utiliza enxofre como matéria-prima principal. Qualquer restrição logística no Oriente Médio tende a elevar o custo desse insumo e, consequentemente, o preço dos pigmentos e resinas utilizados na indústria de tintas. 

Outro fator estrutural reforça essa tendência. A China permanece como um dos maiores importadores globais de enxofre, com grande parte dos volumes originados no Oriente Médio. Caso a navegação no Estreito de Ormuz seja reduzida ou redirecionada, o fornecimento de enxofre para a Ásia diminuirá imediatamente, elevando os custos do ácido sulfúrico e pressionando toda a cadeia de pigmentos industriais. Ao mesmo tempo, mais de 60% das importações chinesas de metanol têm origem no Irã, e cerca de 32% do comércio global desse produto também passa por Ormuz, ampliando a exposição da indústria química ao cenário geopolítico atual. 

Esse ambiente ocorre em um momento em que o mercado global de enxofre já apresenta equilíbrio apertado entre oferta e demanda. A produção mundial gira em torno de 80 milhões de toneladas anuais, com crescimento próximo de 2%, enquanto o consumo cresce impulsionado pela agricultura, pela indústria química, e pelo avanço das cadeias de novas energias. Projetos de baterias, materiais catódicos e hidrometalurgia de níquel ampliam o consumo de ácido sulfúrico e aumentam a competição global por enxofre. 

Autoral GlobalKem | 13 de março 2026 

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